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terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Quarto fragmento

“No meio do tempo, esperamos e desesperamos” (ROUANET, 1984, 47)

Transformar o vivo em morto é mostrar a passagem do tempo. É mostrar como a história pode destruir. “A morte emerge como significação comum de todas as alegorias, que se condensam na alegoria da história.” (ROUANET , 1984, 39). A caveira e a ruína são evidências concretas do poder de corrosão da história-natureza-destino. A caveira trás a imagem do rosto que já existiu. A ruína trás isso no plano do coletivo. O homem, assim como aquilo que constrói, vai cair por terra. É direito da história romper cada estrutura e deixar fragmentos como prova da devastação. Não há vida eterna. Não há nada além da morte. Certamente o desespero é bem maior quando não há mais nada. A morte assombra bem mais.
Do mesmo modo que o príncipe surge para conter as catástrofes naturais, a significação faz associações com a alegoria. “O alegorista lacra as coisas com o selo da significação e as protege contra a mudança, por toda a eternidade.” (idem, 40).
Mesmo a salvação em Deus é objeto de alegoria, levando a mais uma imanência. A salvação, a ressurreição, que seria outra significação para a caveira, é apenas mais uma alegoria. “Também ela deve sua existência unicamente à subjetividade do alegorista” (idem, 43). Na verdade, a falsa transcendência, assim como o príncipe (seu representante histórico) seriam a figuração do desejo impossível da transcendência. Mais uma vez o homem vê-se em seu mundo fechado, vazio e angustiante. Saber da impossibilidade da transcendência e mesmo assim querê-la é morrer duas vezes. A ilusão envolve a alegoria da ressurreição. Viver essa ilusão é pertinente, mas a consciência está sempre latente.

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