O melhor café você conhece pelo cheiro

domingo, 21 de dezembro de 2008

Os mais bregas de 2008

Casa do Pedro, 8 de dezembro de 2008

A cada dia que passa mais e mais o nó cresce - A vontade de explodir.
Eu quero explodir. Não é sempre. É sempre. Eu quero explodir pra acontecer e explodir para deixar de ser. De existir. Virar pó. Não é sempre que se pode tocar o pulmão com ar. E no momento que ar chega tem muito mais coisa dentro dele do que se diz. Dentro do algo que me toca existe um vazio que a cada instante m corporifica dentro do que eu sou. Sou de mim. Do que eu sou. Me corporificar. Me deixar de ser tão racional quanto querem que sejamos. Quanto querem e somos. E me tornar parte. Sem destaque. Só parte. Mesmo que essa parte seja decadência, comumente conhecida. Mesmo que seja só. Vazio. Me tornar parte do todo pelo nada que me circula e me preenche. Mas não é possível. Nada muda aqui, desde que estou aqui. Mas não creio que não venha a mudar nunca. Mesmo que o vazio só seja felicidade despercebida. Mesmo que o vazio só seja a espera por uma felicidade explosiva. E então continuamos. Bregamente. Continuar reticências continuar reticências simplesmente continuar. Dentro das horas eu constantemente estou, isso porque não quero estar acima... das horas. Eu sei. O que seria estar acima das horas? Eu canso. Paro. Mas todas as paradas são com o fim de continuar.

Quando o azul escuro do céu passa a azul claro. E mais perto da terra quando as nuvens não se decidem entre tingidas ou não eu sinto. Qualquer coisa que se sente. E se deve sentir. Pra lembrar que minha pele sente frio. Meus ouvidos escutam até os mortos. Meus dedos se comprimem em volta da caneta. Minha boca sente, minha língua sente alguns desgostos. Não se sabe o que é alcançar a paz. Mas tentar é suficiente pra agora. Porque me doem os segundos um após o outro, um após o outros. E não tem fim. De finalidade. Nem fim de terminação. Como falar. Começamos a falar como se pudéssemos parar, querendo. A busca de fazer cessar as coisas, calar a voz, é o que permite o discurso continuar. Cada vez que as nuvens se tingem mais de vermelho se o azul deixa de existir percebemos mais próximas elas da terra, deixando o céu pra trás. Pra nunca. E a gente descobre onde está. E quer ficar mais. Existencialismo é um humanismo. E se depois de tudo isso ainda busco meios de continuar é porque ainda sou humana. E quero ser parte. Constar. Pra sumir. E existo pra querer deixar de existir. Sem culpa.


Casa do meu pai, 21 de dezembro de 2008

1984. Não se pode estar junto. Não se pode porque cada contato pode gerar uma catástrofe. Quando A e B se juntam C se pergunta porque nenhum do dois quer estar junto dele. Daí C procura por alguém, se junta a D. Se formam grupos que não se juntam. E outros grupos vão sendo criados e alguns se juntam. E estar junto pode ser uma catástrofe.

Sem vírgula. Sem ponto. Sem letra maiúscula.

Queria falar sobre:

-Família

-Exclusão de contato

-Sair ou não de casa

-Dormir

Os gatos pulam. Ao descer o peso está todo contido nas patas dianteiras. As patas traseiras não levantam nem poeira. Tõ com dor no calcanhar. Como quando eu trabalhava de pé na farmácia. Quando eles andam eles se alongam, quase o tempo todo. Eles são calmos e de paz. Brigar é sempre evitado. Mas a briga não. Ela tem os olhos mais quietos e mais misteriosos e azuis e serenos e lindos que podem existir, e ela nem faz alarde disso.

Estou começando a conhecer a minha nova família. E como é bom surpresa. Se surpreender com generosidade e paz é a melhor coisa pra hoje.

Depois de ter me surpreendido com mesquinharia, egoísmo nas relações, intolerância, futilidade, superficialidade, mentira, nada melhor agora do que me deparar com paz. Quando tem esse início de paz, todas as outras são artificialmente alcançáveis. Artificial bom. Já que ta tudo bem, porque não fazer com que esse errinho seja cada vez menor? (meus textos estão cada vez mais bregas, nessa minha onda de paz contemplativa). Esse momento tem inclusive contribuído pra que minha necessidade de ficar em casa nem seja uma coisa ruim. E vem logo as decisões de desaparecer, de deixar de ser qualquer coisa em prol da nulidade da paz. Isso ta tão perto da morte. Eu durmo muito tempo também. Ontem me perguntei se tinha algum problema nisso. De repente to mal de novo e não. Não. Está tudo bem. A morte. É um detalhe não mórbido hoje.

Outra decisão que eu tomei, um pouco influenciada por um documentário é que não pretendo mais procurar ajuda química. Já pensei em quantas coisas destruí porque estava nos momentos de crise, se é que posso chamar assim. Mas tenho medo de destruir ainda mais, quando o meu controle vier de uma cartela de pílulas. Então, por ora, vou me abster de médicos. Vamos ver até onde vai dar.

Tem quatro dias que não saio de casa. Tem um pijama que não saio de casa. Tem duas folhas que não saio de casa. Tem 12 filmes que não saio de casa. Tem 48 horas de sono que não saio de casa. Tem 15 episódios que não saio de casa. Tem duas pizzas que não saio de casa. Tem muita coisa que não me sai de casa.

Que corra. Corra por mim. Não tenho quase mais nada a temer. Quase nenhum muro que eu não possa me lançar. Nenhum caminhão que eu não possa parar. Nenhuma faca que eu não possa me cortar.

Quando eu me cortei eu vi, com mais clareza ainda, que nada me dói. Isso é frio e doentio. mas também libertador. Quando eu me corto eu me sinto dona. Vulnerável somente à mim.

O ruim de estar em casa é a minha constante alergia e minhas dores no corpo. Mas por isso se pode passar por cima. Um dia eu volto a escrever com nexo.


Marcadores:

1 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]



<< Página inicial